sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

"A vida é apenas um sonho, em breve nos acordaremos".

Tenho certeza que Deus tem um propósito pra tudo. Meu Pai, Vincenzo Ciarrocchi faleceu no dia 23/01, e levou com ele um pedaço de mim.



Hoje eu vejo o quanto ele me amou e quanto esteve sempre próximo e presente em tudo, me ensinou a ser quem eu sou, eu sei que ele sempre terá orgulho do filho mais novo. Daqui pra frente, vou tentar ser um pouco do que ele foi pra todos e como ele mesmo disse não me se preocupar com o supérfulo, e sim com o essencial. Que eu seja SIMPLES.


Poderia escrever muitas coisas, das brincadeiras na piscina, das pastidas de ping pong, de assistir o jogo do verdão, dos campeonatos de judô, de ver a presença dele no teatro, nas corridas...tantas recordações..mas nada é tão claro quanto seu jeito discreto, mais infinitamente intenso de amar.


Aqui link do blog da Tela, e abaixo o texto da Mariana. Obrigado a todos pelo carinho, e obrigado Pai por me ensinar a ser Homem.

Texto da Mariana:

A árvore se conhece pelos frutos.


Lembro exatamente quando o conheci.


Estava sentado no sofá, assistindo futebol e usava o seu tão conhecido roupão verde e amarelo. Durante todos os anos vi este mesmo roupão ser remendado diversas vezes. E ele me dizia que ele ainda estava novinho. Dava para usar.


E dessa mesma forma o vi se comportar durante toda a sua vida. Com o que era necessário se vestia, muitas vezes deixando minha sogra maluca, porque ele insistia em usar o mesmo casaco bege, ou a mesma camisa amarela por dias e dias...


Ele sempre me chama de menina. E o mais incrível é que a vida inteira eu nunca deixei ninguém me chamar assim. Sempre preferi que me chamassem pelo nome.


No inicio, achei que ele me chamava assim porque não sabia meu nome, ou não conseguia acompanhar a quantidade de vezes que o Diego trocou de namorada.

Depois eu vi que não, o seu “Menina” vinha sempre acompanhado de muito carinho, e um sotaque gostoso de se ouvir.


E eu retribui, também o chamava de menino, e agora vejo que poucas vezes consegui o chamar de Vincenzo.


E observando mais atenta ainda, realmente Vincenzo é um nome muito sério, para um sujeito que o que faz de melhor é deitar no chão com os netos, sujar as crianças de sorvete ou tomar caipirinha com os amigos.


Então todos nós concordamos nisso, o chamamos de Vince, Belo, Mind, Minjé, Michel, Alemão, Argentino, Tio, Vô, Pai, Bem, Menino. Meu menino.

Recebemos realmente, emails de muitas pessoas, de várias línguas, de amigos antigos, de amigos recentes. E se repetiu diversas frases, de pessoas descrevendo o Menino como alegre, boa gente, excelente profissional, alguém importante para a indústria automotiva, uma companhia agradável em todos os almoços organizados no Diplomata, no Para Pedro, São Francisco e tantos outros lugares que eu não sei.


Mas o que mais me emocionou foi escutar o quanto ele tinha orgulho de sua família.


Como ele descrevia os filhos, a esposa, a família.

A leoa, sua companheira por tantos anos, repetia milhões de vezes que ela nasceu no dia que ele chegou no Brasil. Realmente era porque Deus a tinha preparado para ele.


Como ele gostava de mostrar o orgulho pelo Rodrigo ter se formado mesmo depois de ter dado tanto trabalho. Me contou que assim como ele o Rodrigo também deu aulas e se tornou um belo palmeirense. E que o dia mais feliz da vida dele, foi o nascimento dos netos.


Para a Sheila, preencheu lugar, amou como pai, e contava satisfeito que ele é quem tinha entrado com ela na igreja no dia do casamento. E não se cansou de apresentá-la como filha.


Contou para muitas pessoas sobre a Maristela ter beijado a mão do papa, sobre sua participação na igreja, sobre seus inúmeros amigos, mesmo dando bronca por ela chegar tarde em casa.


Do Diego, o orgulho de encontrar tantos traços dele mesmo espelhado no filho. O jeito teimoso, o silêncio, a seriedade pelo trabalho necessário, os feitos no esporte e o jeito único de ser tão pão duro que só poderia ter mesmo puxado do pai.


Acho que convivi pouco tempo com ele, são quase 6 anos, mas Deus quis que isso me fosse necessário.


Dele, levei uma única bronca, e foi quando resolvi lavar o carro com a mangueira. Ele fechou a torneira e me trouxe baldes. Mas terminou de lavar o carro comigo.


Ele foi exemplo de tanta coisa em vida. Desejo que a morte dele sirva também para nós. Para a exemplo dele, construir uma família firme em Deus. Em ter amigos próximos. Em aproveitar os momentos que a vida nos dá.

Ele me deixou o Diego de quem tenho muito orgulho pela fortaleza que é.


Me ensinou a ter Deus como objetivo.


A fechar a torneira.

E nunca, jamais tomar caipirinha coada.


Mariana Pelozio Ciarrocchi.